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O Dia de LuMay 28 Felicidade é...Felicidade é ... Ouvir o que você mais quer ouvir... No momento em que você mais precisa ouvir... Da voz que você mais deseja ouvir..... May 27 O NatalQuando pequena tinha uma relação especial com o Natal. Era na verdade uma data esperada, mas, acima de tudo, significava para mim um Oásis, um tempo de tranqüilidade. Então, se eu estava completamente perdida nas provas de matemática, achando que não iria passar de ano, ou outro problema “seríssimo” tomava conta da minha vida, eu pensava no Natal, e dizia pra mim mesma, que quando ele chegasse, tudo, de uma forma ou de outra estaria resolvido, e eu estaria feliz. Cresci com essa filosofia simplista, mas totalmente eficiente. No entanto, nunca precisei tanto do Natal quanto preciso hoje. Não que os meus testes de matemática estejam assim tão trágicos, ou que um problema insolúvel tenha me acometido. O passar dos anos nos ensina que as provas de matemática não são mais que jogos infantis, diante da importância de tudo o que vem pela frente. Felizmente esse mesmo passar dos anos nos dá a sabedoria necessária para vencer (ou ao menos tentar) a todos os obstáculos que nos apresentam. Preciso do Natal, porque ele representa exatamente o passar do tempo. Preciso porque até lá, as minhas expectativas terão se realizado, como eu espero do fundo da minha alma que se realizem, ou então eu terei tomado outras providências para que isso aconteça, mas pelo menos terá acontecido alguma coisa. Detesto essa sensação de impotência que a espera provoca. Na infância nunca consegui concluir aquela experiência do feijão, porque todos os dias eu ia mexer no algodão, para ver se alguma coisa havia brotado. A curiosidade e a ansiedade da cientista inviabilizavam o experimento. Não consigo ficar parada, esperando. Tenho a sensação de que estou perdendo. E não posso perder. Não isso. Não agora. Não depois de tudo o que senti e descobri a meu respeito. Comparo esse tempo a uma gravidez. Coincidentemente nove meses é o meu tempo de espera. Devo interpretar isso como um fato positivo? “Nove meses” é simbólico, um renascimento no final da espera. E estou grávida de minhas próprias esperanças. Sinto que este é um momento único, e meu. O meu momento. Eu preciso que seja. Preciso que dê certo, porque será muito triste se não der. Não há nada que indique o contrário, mas, e o medo? “Se a vida é uma longa espera, então ensina-me a te esperar”. Eu só espero (de novo a espera) que não me acompanhe o pior dos conselheiros nessas horas, o medo. Que de mãos dadas comigo, caminhem a convicção e a calma. Esta última nunca me foi amiga íntima, mas bem que gostaria de sua companhia. Que chegue logo o Natal, pois já escolhi meu presente. E fui uma boa menina, pouco fiz de “má-criação”, obedeci aos mais velhos, comi todas as verduras do meu prato, evitei palavras feias e escovei os dentes antes de dormir. (Luciana Rodrigues - 27/05/2006) May 26 Muito sujestivaSete Vidas(Marcus Viana)May 18 FORMATAÇÃOFORMATAÇÃO
A manhã está particularmente quente, num outono que ainda teima em dar a si, ares de verão. O engarrafamento, comum nesta cidade que cresceu sem perceber, começa a fazer efeito sobre o humor das pessoas. Rostos, apenas rostos que se alinham lado a lado, nos espaços reduzidos, e não se olham, não se enxergam, não interagem. Cada rosto é uma pequena ilha, perdida na imensidão dos próprios pensamentos. A senhora com as sacolas resmunga contrariada a cada freada. A moça, de blazer nesse calor infernal, olha o relógio a cada minuto, certamente ciente de que deveria estar no emprego há meia hora. O garoto do colégio, por sua vez, não parece muito contrariado com a perda da primeira aula. Grita a todo instante, divertindo-se com os colegas que estão no fundo do veículo. No ônibus, que percorre um quilômetro por hora, só há dois caminhos, o stress ou a abstração. Escolho a segunda alternativa.
Observo a equipe de jardinagem trabalhando no canteiro central da avenida. Aparam os arbustos, domando-lhes os galhos, fazendo com que tomem sempre a mesma forma. Desenhos geométricos vão preenchendo todo o canteiro, fazendo com que o verde não destoe das linhas protocolares da paisagem urbana.
Formatação. Penso. É incrível como formatam até as plantas!
“Escapou a formatação”, ecoa em minha mente, uma voz muito querida, com palavras pronunciadas num contexto diferente, mas nem tanto. Formatam-se plantas, formatam-se coisas, e o pior, formatam-se pessoas. Sim. Nessa ânsia de padronizar, de determinar o certo e o errado, formatam-se indivíduos, a despeito de suas convicções, vontades e sentimentos.
Sentimentos não deveriam ser formatados. Ao menos não todos. Algumas coisas devem ser ditas e sentidas, sem formatação, sob pena de se perder todo o encanto de seu significado.
Não gosto de jardins geométricos, certinhos. Não que sejam feios. Tem até sua graça. Possuem uma beleza contida, cuidadosamente padronizada, forjada. Mas, a exemplo também das pessoas, prefiro a alegria libertária dos bosques, onde as árvores crescem sem amarras, cada qual seguindo seu rumo, obedecendo somente à própria natureza.
Segue o ônibus pela avenida abarrotada. Sigo eu, em minha fuga constante da tesoura e do prumo. Numa decisão intransigente de, sob muitos aspectos, permanecer bosque.
Luciana Rodrigues – 17/05/2006 May 07 Eu não existo sem vocêEu não existo sem você Vinícius de Moraes
Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim Assim como o oceano Não há você sem mim
April 25 DESTINO
Como será que se tem certeza de que alguém é o seu destino? É engraçado como nunca havia pensado muito sobre isso, até bem pouco tempo atrás. Sempre procurei pautar as minhas ações mais pela objetividade do que pela sensibilidade. Ao menos eu achava que fazia isso. Na verdade, havia uma amiga no colegial, das poucas que ainda conservo depois de tanto tempo (não tanto tempo assim né), que me dava o pomposo título de “Pilar da Insensibilidade Romântica”. Bem pouco adequado para uma menina de dezesseis anos que queria ser do “Médicos Sem Fronteiras”, viajar o mundo inteiro e escrever muitos livros, tudo isso numa mesma encarnação. Mas fico me perguntando se, apesar de inadequada, aquela provocação juvenil não tinha um pouco de verdade. Ou um muito de verdade. Então, um belo dia o “Pilar” se vê de frente com o seu destino. E reconhece sua ventura imediatamente. É como se todas as peças do quebra cabeça de sua vida de repente começassem a se encaixar precisamente. E tudo fica absolutamente claro. Não há mais dúvidas, apenas certezas. A mesma confiança juvenil de que se pode fazer tudo, conquistar tudo, ser o que seu coração desejar ser. Depois disso, olhando em volta, o mundo permanece exatamente como antes. Os dias continuam sucedendo as noites, e as estações chegam e vão, em seu tempo, no seu ritmo. Mas para quem vislumbrou sua estrela, nunca nada será como antes. Luciana Rodrigues - 25/04/06 April 07 Faca de dois gumesO Tempo é mesmo uma faca de dois gumes! Principalmente quando se espera muito por algo, se espera tanto e numa ansiedade tamanha, que não se pode nem respirar direito.A espera é mesmo a pior e a melhor de todas as sensações. É a melhor, pela expectativa, pelo plano, pelos sonhos. É a pior, pelo medo. Estou chegando à conclusão de que o Rei Artur estava certo ao dizer à Lancelot, que "aquele que não teme nada, também não ama a nada." Claro! Se você não ama nada, nada tem importância. Não precisa ter cuidado com nada. Não tem que ter medo de perder, porque não tem nada mesmo. Mas, a partir do momento que se tem algo muito importante na sua vida, é inevitável o medo. E, no meu caso, medo e saudade, muita! Mas, felicidade, muita também!Bom, sendo assim, eu encaro o medo, já que a felicidade é maior. Só gostaria que o tempo fosse menos implacável, e não demorasse tanto. E por outro lado, gostaria que ele corresse na medida que eu pudesse realizar tudo o que preciso. Complicado, né....rs Afinal, eu quero que passe rápido ou passe devagar? Às vezes gostaria de de repente acordar daqui a alguns meses, com tudo pronto e resolvido. Mas, se eu dormir, quem vai resolver tudo? Não dá pra dormir. Tenho que preparar tudo. Preparar o maravilhoso plano B. E aguentar a ansiedade da espera. E todas as "neuras" dela decorrentes. Firme como uma rocha.
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